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ANTÔNIO CALLONI FALA DE SUA CARREIRA COMO ESCRITOR E ATOR

a alma do ator é seu corpo, o corpo do escritor é sua alma”

(Antônio Calloni)


O ator e escritor Antônio Caloni esteve presente na 25ª Feira do Livro e palestrou na tarde deste domingo, para cerca de 150 pessoas, no auditório da Feira. Calloni contou que sua carreira de escritor começou antes da de ator. Aos 13 anos acompanhou os pais até sua Vila Natal, Ponte San Pietro, na Itália. Inspirado pela viagem escreveu seu primeiro poema, em italiano (o ator foi alfabetizado nessa língua e aprendeu português na escola). O poema nunca foi publicado, mas foi o despertar de uma vocação. Calloni não parou mais de escrever, e hoje conta com cinco títulos publicados e participação na antologia Travessias Singulares.

O autor contou que quando criança os professores lhe obrigaram a ler Machado de Assis, que, naquele momento ele não pode compreender. “Não adianta dar clássicos da literatura para as crianças lerem. É um desperdício, elas não têm condições de perceber toda a riqueza, sutileza das obras”, explicou. Hoje, Calloni afirma gostar mais de ler do que de escrever e citou grandes nomes como inspiração: Manoel de Barros, Manoel Bandeira, Guimarães Rosa e Moacir Scliar.

Calloni contou também que existem muitas semelhanças entre atuar e escrever. “O ator expõe o corpo inteiro. Cada personagem tem um pouco de mim mesmo. O escritor expõe só a alma. Eu sou mais exposto e despudorado como escritor do que como ator. Como escritor você não consegue muito se policiar, mas é assim mesmo, tem que deixar as pessoas entrarem em você pelo seu texto” concluiu. “As pessoas perguntam como consigo fazer personagens bons e maus, mas nada que é humano me é estranho”. O escritor disse que todos nós temos a capacidade de amar, de odiar. Todo mundo é capaz de tudo.

Calloni contou que não costuma reler livros, mas que a releitura é um exercício importante para perceber o quanto uma pessoa evoluiu com o tempo. “Podemos ter piorado ou melhorado, mas o importante é o movimento, é não estar parado”, explicou.

Sobre seu último personagem da televisão, César (da novela Caminho das Índias), o ator disse que não se tratava de um mau-caráter, mas de um “sem-caráter” e que ele aceitou fazer o papel porque sabia que o personagem iria gerar muita discussão. “O César educava o filho de uma forma errada, porque ele queria ser amigo do filho, e filho precisa de pai e não de amigo. O amor precisar ser acompanhado de responsabilidade”, completou.

Caloni foi questionado pela platéia se o fato de ser ator influenciou a sua carreira de escritor. Calloni respondeu que ser alguém conhecido na mídia interessa ao mercado editorial mas que também ouviu criticas. “As pessoas diziam: o que ele quer se meter a escrever se ele é ator?”. Mas aprendeu a lidar com a relação e acha que nada impede ninguém de escrever. Calloni defende que cada pessoa pode se expressar da forma que achar melhor. Segundo ele a leitura é um estímulo dos melhores, através dela as pessoas desenvolvem sua sensibilidade e melhoram sua vida. “Uma pessoa que aprecia a arte, come melhor, faz tudo melhor. Ler nos faz relacionar melhor com o mundo”.

No fim da palestra Calloni leu poesias de sua autoria e recebeu os elogios da platéia e da Patrona da 25ª Feira do Livro, Maria Helena Balen.